Oito horas da manhã, saio de casa e vou a caminho da escola. Meu primeiro tempo é às oito e meia, e levo quinze minutos para chegar lá, andando lentamente. Tempo de sobra, pensei.
Coloquei os fones de ouvido do meu mp3, apertei o play e a primeira música era a minha favorita (e da minha mãe também, tanto que ela meu deu o nome) Michelle, dos The Beatles.
Andando distraída, atropecei em algo pesado. A dor era latejante, olhei para baixo pensando que era uma pedra, mas não... não era possível... era uma folha de papel.
Soltei uma gargalhada, devia ser o sono que estava tomando conta dos meus sentidos.
Continuei a minha caminhada e PÁ! Atropecei de novo, agora com certeza era uma pedra. Não. Não era uma pedra, era a bendita folha de papel. Olhei para trás, para aonde a primeira folha de papel deveria estar, nenhum vestígio dela. Talvez, tenha batido um vento (apesar de eu não ter sentido nenhum).
Analisei a folha, miniciosamente, e ela era perfeita, do tamanho A4, branca, sem sujeira nenhuma. Me abaixei para pegá-la, minha mente tinha projetado um certo sinal para os meus músculos de que aquela folha era leve, afinal, uma única folha de papel é leve. Mais um susto, ela pesava como o meu livro de Química, isso fez com que a minha mão doesse.
Apartir daquele momento, eu suspeitei que talvez eu tivesse delirando, tanto que fiz uma "pergunta" para a folha...
- Hey, o que você pensa que é?
Meu queixo caiu. Aparecera na folha os dizeres:
- Olá. Prazer, Destino.
HAHAHA, valeu. A folha de papel/pedra/peso do livro de Química, respondia minhas perguntas. E ainda se chamava Destino. Eu estava pirando.
- E aê Destino, o que me diz pra hoje? - É claro, que eu não acreditava no que estava vendo, só queria ver até onde aquilo ia dar.
- Michelle, você tem teste surpesa de Biologia. Tirará uma nota boa. Ao sair da sala, encontrará com um menino chamado Henrique.
- Bebeu, Sr. Destino? Eu sou péssima em Biologia, nunca tiraria uma nota boa em uma prova, quanto mais em um teste surpresa. E aliás, não conheço nenhum Henrique.
- Lembra daquela aula? A única aula que você verdadeiramente prestou atenção? O teste inteiro será apenas daquele dia. Você irá se sair bem. E enquanto ao Henrique, ele é um menino do terceiro ano, e digamos o destino de vocês iam se cruzar, era só questão de tempo.
- Beleza, eu devo ter dormido muito pouco, e estou sonhando. Tchau, Destino.
E fui me encaminhando para a lixeira mais próxima. Até que as letrinhas começaram a aparecer na folha, de novo.
- Não adiantará me jogar fora, eu sempre estarei com você, mesmo que você não veja. Você fala de mim, e nem percebe...
- Eu não acredito em destino, Destino.
- Mas não estou falando deste nome. Uns falam de mim no feminino... Apesar de eu não gostar. Umas pessoas me chamam de Destino, outras...
- Ah, saquei. Você é meio mulher e meio homem né? Ok, vou parar com as piadinhas.
- Acho bom. Mas o meu nome feminino, você fala muito, muito mal por sinal. Fala que não possui.
- Destino, maluco o meu. Medo.
- Eu sei que você sabe do que eu estou falando, Michelle. Se você saber qual é o meu outro nome, eu irei desaparecer na forma física mas sempre estarei do seu lado. Mesmo você falando que nao me tem.
- Vou pensar.
E pensei, pensei e cheguei em uma conclusão. Não era possível. Fiquei arrepiada, se eu estava sonhando, era o sonho mais profundo que eu já tive.
- Oi, sorte.
E a folha se dissolveu em minhas mãos.
Oito e vinte, e ainda faltavam dois quateirões para a escola, andei com um pouco mais de pressa. A minha mente estava atordoada. Com certeza, não conseguiria fazer o tal teste supresa, se ele existisse.
Cheguei na escola, bateu o sinal do primeiro tempo.
Ás onze horas, começou o último tempo, que era o de Biologia. E voilá, teste surpesa de Biologia. Segurei com toda força na minha sanidade mental, e pela primeira vez torci para me dar mal no teste, sendo assim, eu provaria para mim mesma que eu estava normal.
Peguei o teste, e com um frio na barriga, li as questões. Ah, droga. Eu sabia todas, absolutamente todas. Fiz o teste em quinze minutos, entreguei-o a professora, que com um grande sorriso disse:
- Michelle, você me surpeendeu. Parabéns, além de ser a primeira a integrar, gabaritou.
A querida da professora deve ter imaginado que eu ia sorrir, mas não. Meu rosto queimou, provavelmente minhas bochechas estavam vermelhas, sem falar nada, saí da sala.
Andei o comprido corredor, olhando para o chão. E esbarrei, e que feliz, em um menino bonito.
- Você tá bem? Parece um pouco nervosa. Ah, mil desculpas... eu não tenho nada haver com isso.
Além de bonito era fofo, BINGO!.
- Tudo bem, eu acho.
- Deixa eu ver... teste surpresa? Se deu mal?
- É. Não, não. A professora disse que eu gabaritei. Mas eu já sabia, a folha maldita, tinha dito.
Essa última frase, foi um susurro.
- Folha? Han?
- É. Folha. Destino. Sorte. Não sei o que mais.
- Impóssível...
- É, eu sei. Devo estar pirando, relaxa que provavelmente não se pega no ar.
- Michelle?
- Ah, Deus... Henrique?
E a gente conversou, a folha também tinha encontrado ele. E tinha dito a mesma coisa "o destino de vocês iam se cruzar, era só questão de tempo". Mas ele nunca me vira, nem sabia na minha insignificante existência, era recíproco. E quando me viu andando nervosamente saindo da sala, nem passou pela cabeça dele que eu seria eu, ele também não acreditará no Destino.
Passou um longo, longo tempo e Henrique se tornou o meu melhor amigo, irmão mesmo. Um amor inacreditável... Coisa do destino/sorte.
"Até eu conseguir, espero que você entenderá o que eu quero dizer" Michelle, The Beatles.
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